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Treinamento de comunicação para equipes

Fantástica Fábrica Criativa

Treinamento que gera resultado: o método em 3 etapas

Atualizado em 15 min de leitura Treinamento de comunicação para equipes Publicado originalmente em

Um treinamento que gera resultado não se mede por horas de sala nem por quantidade de pessoas treinadas — se mede por mudança de comportamento. E, antes de falar de método, vale um teste rápido.

Imagine que você precisa participar de um treinamento sobre motivação. A pessoa abre o primeiro slide e começa assim: “gente, o que é motivação? A motivação pode ser definida como uma ação dirigida a objetivo, sendo autorregulada, biológica ou cognitivamente persistente no tempo e ativada por um conjunto de necessidades.”

Quanto tempo você continuaria prestando atenção ali?

Sendo bem sincero, a resposta costuma ser: não por muito tempo. E ainda assim esse cenário é comuníssimo. O problema quase nunca é competência técnica: existe muita gente excelente tecnicamente que não sabe externalizar as ideias de forma eficiente, que gere resultado.

Você tem muito conhecimento. Um fio emaranhado na sua cabeça. Você lida com esse fio há muito tempo e ele faz todo o sentido para você — mas e na hora em que você precisa transmitir esse conhecimento para outra pessoa?

O que falta, nesses casos, quase nunca é conteúdo: falta um método que garanta, nessa ordem, atenção, aprendizado e aplicação. Você vai ver esse método aberto em três etapas — mentalidade, conteúdo e ferramenta — com os casos reais que mostram o que quebra quando uma delas falta.

Quem assina o método é o André Brotto, CEO da Fantástica Fábrica Criativa e especialista em treinamento e desenvolvimento de pessoas há mais de 16 anos. É a metodologia que ele criou e aplica em todos os produtos de treinamento da FFC, dos corporativos aos online.

Ler um documento, assistir a um vídeo ou sentar em uma sala de treinamento não é gerar aprendizado. E não é gerar resultado.


Um treinamento que gera resultado se mede por mudança, não por horas treinadas

O André trabalhou na área de recursos humanos, especificamente em treinamento e desenvolvimento de pessoas. E via repetidamente sempre a mesma história no final do ano: o RH mostrando números de pessoas treinadas. “Olha quantas pessoas nós treinamos esse ano.”

A pergunta que ele fazia era outra: esses treinamentos geraram resultado para a empresa? Geraram melhoria?

No final das contas, ele era o chato.

Mas esse quantitativo nunca fez sentido — ele não descreve nada do que aconteceu de verdade. O que descreve é uma análise qualitativa. Coloquei um treinamento de vendas para a minha equipe. Então:

  • Esse treinamento fez as pessoas venderem melhor?
  • Elas passaram a vender em menos tempo?
  • A gente agora tem menos reclamação aqui dentro?

São perguntas incômodas justamente porque são verificáveis. Horas treinadas, não — é um número que sempre fecha bonito.

Análise quantitativaAnálise qualitativa
“Olha quantas pessoas nós treinamos esse ano”“A equipe passou a vender melhor?”
Horas de sala computadasTempo de venda que caiu
Presença registradaReclamações que diminuíram
Mede o esforço de quem treinouMede a mudança de quem foi treinado

O caso clássico é aquele: a empresa não está conseguindo vender, então pega todo mundo da equipe de vendas e coloca por 12 horas numa sala. Se o treinamento é ruim, você não fez nada além de computar horas — as pessoas voltam para a operação e continuam não vendendo.

Seu objetivo ao ensinar algo é gerar valor e resultado com o conhecimento que está passando, não quantidade de pessoas nem de horas. É a lógica de quem vende o resultado, e não o método: ninguém compra a metodologia, as pessoas compram o que ela muda.


Atenção, aprendizado e resultado: a régua que não dá para pular

O primeiro princípio do método são três coisas. Quando o André cria um treinamento, ele precisa de atenção, de aprendizado e de resultado — nessa ordem exata. Porque sem atenção não existe aprendizado. E sem aprendizado não existe resultado.

Repare em quantas vezes a atenção é simplesmente pulada. Quantas vezes você não coloca um colaborador para sentar e ler um documento?

Você já leu um livro inteiro, passou página por página, e não aprendeu nada? É isso que acontece com o colaborador que você coloca só para ler um monte de informação: ele vai simplesmente ter dado checks ali. “Nossa, ele leu esse treinamento, ele leu esse documento.” Mas será que ele realmente aprendeu algo?

O André conta que a mãe dele sempre dizia: “André, você só presta atenção naquilo que te interessa.”

E é verdade — você é assim até hoje.

Por isso a primeira grande obrigação de quem trabalha com treinamento é pegar um assunto técnico e tornar ele interessante para aquela pessoa que está ali participando. Não é adornar nem encher de dinâmica: é fazer o assunto conversar com o problema que ela tem hoje.


Sem ambiente de prática, não existe mudança de comportamento

O segundo ponto é conseguir criar um ambiente para treino e para repetição. Sem treino da habilidade que você está passando e sem repetição, você não gera mudança.

O detalhe está em onde essa prática acontece.

Treinar já no dia a dia real tem um custo escondido: nesse momento, errar pode levar a um bloqueio mental. A pessoa erra na frente do cliente, do gestor ou da equipe, associa a habilidade nova ao vexame e trava.

É por isso que é preciso criar um ambiente simulado — um espaço onde ela possa colocar em prática tudo o que aprendeu, errar, e depois receber um feedback que a leve para o caminho correto.

O ciclo precisa girar mais de uma vez: treino (executar num cenário simulado, sem plateia real), erro (que ali é parte do desenho, não acidente) e feedback (apontar o caminho correto enquanto o erro está fresco).

Sem ambiente de práticaCom ambiente de prática
O primeiro erro é na frente do clienteO primeiro erro é no simulado
Errar custa caro e cria bloqueioErrar não custa nada — e vira dado
A pessoa entendeu na teoriaA pessoa sabe fazer
Uma tentativa sóRepetição até virar comportamento

Junte as duas condições e a conta fecha: se você tem a atenção das pessoas e cria um ambiente para treino e repetição, você gera aprendizado. E com aprendizado vem aplicação na prática e resultado de verdade.


Por que nada disso funciona sem método (e o que é o MCF)

Só que, para conseguir tudo isso, você precisa de um método.

Muitas pessoas tentam ensinar algo sem método nenhum. O que elas fazem, na prática, é abrir um documento de Word, abrir um PowerPoint e jogar informações lá dentro.

E aí você tem aquele treinamento sobre motivação do começo deste artigo: uma definição de dicionário, correta, bem escrita — e inútil. Porque, se o público é formado por líderes de equipe, ele não traz nenhuma informação sobre como esse líder pode motivar os colaboradores dele. O conteúdo existe; a ponte para a realidade, não.

O André sempre teve uma abordagem muito mais pragmática: o objetivo dele não é só gerar motivação, não é só estar ali passando informação — é gerar resultado para aquela empresa. E deve ser o seu também.

O MCF são três etapas, nessa ordem: mentalidade, conteúdo e ferramenta.

A ordem faz parte do método. A primeira parte é trabalhar a mentalidade das pessoas. Uma vez trabalhada a mentalidade, aí sim entra o conteúdo técnico. E, com a pessoa aberta a receber e o conteúdo já passado, vem o terceiro passo — a ferramenta —, que o André descreve como essencial para ocorrer o aprendizado de verdade. É esse encadeamento que as próximas três seções abrem, uma a uma. Para ver o mesmo raciocínio fora do contexto de treinamento, vale ler o método MCF na prática.


Mentalidade: o aprendizado trava nas velhas crenças

A primeira parte do método é trabalhar a mentalidade das pessoas.

Muitos lugares chegam e despejam um monte de conteúdo técnico direto. Mas a falha da maioria dos métodos acontece bem aqui, antes do conteúdo — porque um processo de aprendizado normalmente trava nos nossos velhos hábitos e nas nossas velhas crenças.

O André viveu isso num projeto na área de vendas de uma empresa. A missão era retreinar vendedores que estavam na casa havia mais de quatro anos, ensinando uma metodologia completamente nova, porque essa era a nova estratégia da empresa.

Agora pense no lado de lá. Se você pega um vendedor que há quatro anos vende um produto dentro da empresa, o que ele vai pensar?

“Não, mas eu já sei vender. Eu não preciso aprender uma metodologia de vendas nova.”

E ele não está sendo difícil: durante quatro anos, o jeito dele funcionou. A metodologia nova, do ponto de vista dele, é solução para um problema que ele não tem.

O que destravou não foi insistir. Foi mostrar para ele, naquele momento, que com a nova metodologia ele poderia ter resultados ainda melhores — poderia ganhar um salário variável maior. Mostrar o ganho antes de pedir a mudança é o mesmo movimento de convencer alguém de verdade, em vez de apenas comunicar uma decisão.

Porque se você simplesmente chega e fala “agora vocês precisam aprender essa metodologia, nova estratégia da empresa”, a chance é muito grande de que ele não aprenda direito. E aí você teria falhas depois, dentro do processo — falhas que ninguém vai atribuir ao treinamento, vão atribuir ao vendedor.


Conteúdo: técnico é fácil, aplicável é o que muda algo

Uma vez que você trabalhou a mentalidade, aí sim dá para ir à segunda etapa: o conteúdo técnico.

Só que conteúdo técnico não é chegar e passar um monte de informação que qualquer um acha no Google. Informação genérica não é escassa — está a uma busca de distância, de graça. A grande sacada de um bom treinamento é pegar esse conteúdo e mostrar que ele tem utilidade real para aquela pessoa, que pode gerar resultado. E não que é só mais uma informação que ela vai esquecer no dia seguinte.

Muitas pessoas jogam aquele conteúdo no cosmos. Ele fica perdido lá, e quem está ouvindo não consegue ver a aplicação prática.

O exemplo mais didático disso o André viu numa consultoria que dava um treinamento de design thinking para analistas júnior dentro de uma empresa.

O problema é que um analista júnior não tem grandes poderes de decisão, não trabalha com coisas muito estratégicas. E todos os exemplos do treinamento eram justamente estratégicos: “vamos ver aqui como a Nike redefiniu toda a estratégia de marketing da empresa”.

Eles não conseguiam ver a aplicação do design thinking naquelas tarefas pequenininhas que um analista júnior realiza de verdade. O resultado? Acharam toda a informação muito legal. E depois nunca mais aplicaram.

“Muito legal” é o elogio mais perigoso que um treinamento pode receber: significa que a pessoa gostou e não vai mudar nada.

A saída é sempre a mesma — trazer o conteúdo técnico para a realidade do usuário, em estudos de caso que representam o dia a dia dele e na linguagem que ele já está acostumado a usar. Assim você conecta um problema real ao seu conhecimento como ferramenta que resolve esse problema.

Conteúdo jogado no cosmosConteúdo aplicável
Definição que se acha no GoogleResposta ao problema real da pessoa
Exemplo da Nike para um analista júniorEstudo de caso do dia a dia dela
Na linguagem do especialistaNa linguagem que ela já usa
“Muito legal”“Vou usar isso amanhã”

Ferramenta: o que sobra quando o treinamento acaba

Você deixou a pessoa aberta a receber o conhecimento e passou o conteúdo técnico de forma aplicável. Falta o terceiro passo, essencial para ocorrer o aprendizado de verdade.

Uma ferramenta não é nada mais do que um processo que garante a aplicação, o aprendizado e o resultado.

Repare que ferramenta, aqui, não é necessariamente um aplicativo ou algo tecnológico. Pode ser um checklist. Um passo a passo. Um Excel. Um Canva. É qualquer coisa que consiga condensar o método que você ensinou em algo acessível no dia a dia e de fácil entendimento.

O que acontece é simples: a pessoa olha para todo o método naquela folha de papel, naquele Excel, naquele checklist, relembra tudo o que você passou e aplica facilmente no dia a dia, repetindo várias e várias vezes.

E a ferramenta é transitória, de propósito. No futuro, o objetivo é que ela não use mais — mas, para se lembrar de tudo o que você ensinou, ela precisa de algo intermediário.

Sem essa ferramenta, ela não vai aplicar o método de forma completa. Nem correta. E não por má vontade: o cérebro tem capacidade limitada de armazenamento. Como o André costuma dizer, 80% do que você vê hoje, você esquece.

A FFC passou por isso dentro de casa. Quando a empresa contratou uma pessoa para escrever os e-mails de venda, já existia uma forma específica de trabalhar — o André tinha uma forma específica de escrever. A pessoa contratada não conhecia esse procedimento, e por isso ele precisou treiná-la.

Só que aí veio a pergunta honesta: depois, quando ela for escrever os e-mails, será que vai lembrar de todos os passos?

Foi por isso que a FFC criou uma ferramenta que resume a estrutura de um e-mail de vendas — exatamente a mesma ensinada aos alunos dentro do treinamento de narrativa para vendas. O processo inteiro é passado, sim. Mas depois os alunos vão precisar repetir aquilo no dia a dia, e é a ferramenta que permite replicar, treinar e relembrar tudo sem depender da memória.


Gerar resultado é o que faz te chamarem de volta

Por que tanto rigor com método, se dava para só computar horas?

Porque resultado tem efeito composto. Quando você gera valor para a empresa que te contrata, esse valor reflete diretamente em você: você passa a ser responsável por resultados melhores — e quem é responsável por resultados melhores começa a ser chamado para outros projetos.

Foi assim com o André. O primeiro treinamento que ele criou foi dentro de uma empresa onde trabalhava, a pedido do gestor, para capacitar a equipe. Deu tão certo que ele começou a capacitar outras equipes pelo Brasil, foi promovido, assumiu outros projetos — até perceber que podia fazer isso fora dali. Foi aí que abriu a Fantástica Fábrica Criativa, em 2017.

E até hoje a FFC continua trabalhando com grandes empresas como Volvo, Banco do Brasil, Suvinil e Michelin, e dezenas de outras. Por quê? Porque gera resultado para elas — resultado através de um método. Se fosse só chegar lá e computar horas de treinamento, elas não iam chamar de volta.

Então, seja você alguém que um dia vai ser chamado para passar um conhecimento, alguém que quer contratar um treinamento para a própria empresa ou alguém que quer criar o próprio treinamento online, lembre de uma coisa: seu maior objetivo é trazer resultado para o seu cliente. E resultado você só traz com atenção, aprendizado e aplicação.

Se o caminho for levar isso para dentro de uma equipe, é esse método que sustenta os treinamentos in company da FFC — e os cases mostram como ele funciona na prática, com nome e número.


Próximo passo

Este artigo é uma peça do guia Profissional commodity: por que seu conhecimento não basta. Lá você entende por que ser bom tecnicamente virou o mínimo — e por que quem não consegue mostrar o resultado do próprio conhecimento acaba vendendo o próprio conhecimento como milho, pelo preço que o mercado quiser pagar.

E se o próximo passo for tirar o seu método da cabeça e colocar no papel, o passo a passo está em como criar um método próprio, com nome, ordem e ferramenta.

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Veja o vídeo completo

Este artigo foi baseado na aula em que o André abre a metodologia que criou e aplica em todos os treinamentos da FFC. Assista ao vídeo original:

Apresentação Profissional | Método para MANTER ATENÇÃO durante treinamento | Online, Corporativo, RH

Perguntas frequentes

O que é um treinamento que gera resultado?

É o treinamento que se mede por mudança de comportamento, não por quantidade de pessoas ou de horas treinadas. Ler um documento, assistir a um vídeo ou sentar numa sala de treinamento não é gerar aprendizado nem resultado. O objetivo de quem ensina é gerar valor e resultado com o conhecimento que está passando.

Como medir se um treinamento gerou resultado de verdade?

Trocando a análise quantitativa pela qualitativa. Em vez de contar pessoas treinadas e horas de sala, olhe para indicadores de mudança: depois do treinamento de vendas, a equipe passou a vender melhor, passou a vender em menos tempo e a empresa tem menos reclamação? São perguntas incômodas justamente porque são verificáveis.

O que é o método MCF?

MCF são as três etapas do método criado por André Brotto e aplicado em todos os produtos de treinamento da Fantástica Fábrica Criativa: mentalidade, conteúdo e ferramenta, nessa ordem. A primeira parte é trabalhar a mentalidade das pessoas; uma vez trabalhada a mentalidade, entra o conteúdo técnico; e a ferramenta é o terceiro passo, essencial para ocorrer o aprendizado de verdade.

Por que trabalhar a mentalidade antes do conteúdo técnico?

Porque o aprendizado normalmente trava nos velhos hábitos e nas velhas crenças, e é aí que a maioria dos métodos falha. Num projeto de retreinamento, vendedores com mais de quatro anos de casa pensavam "eu já sei vender, não preciso de metodologia nova". O que destravou não foi impor a metodologia, e sim mostrar antes o ganho para eles: resultados melhores e um salário variável maior.

Por que um treinamento precisa de ambiente de prática?

Porque sem treino da habilidade e sem repetição não existe mudança de comportamento. Treinar direto na operação real tem um custo escondido: errar na frente do cliente, do gestor ou da equipe pode gerar bloqueio mental. Por isso é preciso um ambiente simulado onde a pessoa aplique o que aprendeu, erre sem custo e receba feedback que a leve ao caminho correto.

O que conta como ferramenta em um treinamento?

Uma ferramenta não é nada mais do que um processo que garante a aplicação, o aprendizado e o resultado. Ela não precisa ser um aplicativo ou algo tecnológico: pode ser um checklist, um passo a passo, um Excel ou um Canva, desde que condense o método em algo acessível e de fácil entendimento. Ela também é transitória, porque o objetivo é a pessoa parar de precisar dela com o tempo.

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Ana Flávia, CEO & Estrategista de Marketing Digital & Storytelling

Ana Flávia · Fantástica Fábrica Criativa

CEO & Estrategista de Marketing Digital & Storytelling

Ana Flávia é CEO e estrategista de comunicação e storytelling da Fantástica Fábrica Criativa. Lidera a estratégia de conteúdo, copy e comunicação digital para negócios — unindo storytelling e marketing para transformar especialistas em referências no digital.

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