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Treinamento de comunicação para equipes

Fantástica Fábrica Criativa

Como escolher uma empresa de treinamento corporativo

12 min de leitura Treinamento de comunicação para equipes

Sexta-feira, quatro da tarde, três propostas abertas na tela. As três falam em “metodologia própria”, têm carga horária parecida e preços que não se parecem em nada. Se você precisa escolher uma empresa de treinamento corporativo com essas três na mesa, o seu problema não é falta de informação. É que as três foram escritas para parecerem iguais. Aqui vão sete critérios que desempatam, cada um com a pergunta a fazer e o sinal de alerta.

Eu já estive do outro lado do balcão. Contratei uma empresa para refazer o branding da FF Criativa — veio por indicação, gente de confiança — e mesmo assim eu não conseguia enxergar o que ela ia fazer. Comecei a perguntar na reunião: você vai refazer minha logo? Vai recriar a narrativa? Que que você vai me entregar no final? Ele não mostrava o processo porque nem ele tinha desenhado aquilo com clareza para si mesmo.

Ler um documento, assistir a um vídeo ou sentar em uma sala de treinamento não é gerar aprendizado, não é gerar resultado.


A pergunta que decide não é “qual é a melhor?”

A pergunta que separa duas propostas é outra: o que essa empresa garante que vai acontecer depois que a aula acabar? Carga horária, ementa e preço por hora são os itens mais fáceis de comparar e os que menos preveem resultado. Quem tem processo responde isso por escrito. Quem não tem, desconversa — e te vende um evento.

Michael Beer, Magnus Finnström e Derek Schrader publicaram na Harvard Business Review em 2016 um número que incomoda: num levantamento do CEB de 2011 com quase 1.500 gestores seniores, três quartos estavam insatisfeitos com a própria área de treinamento. Três em cada quatro.

Os 7 critérios para escolher uma empresa de treinamento corporativo

Sete critérios, cada um virando uma pergunta de reunião. Se o fornecedor não responder três delas por escrito, você não tem uma proposta na mão: tem um orçamento.

#CritérioO que perguntarResposta boaSinal de alerta
1Diagnóstico antes“O que fazem antes de propor a ementa?”Entrevistas com gestores e treinandos; diagnóstico escritoEmenta pronta em 24h; formulário de 5 perguntas
2Conteúdo adaptado“Me mostre dois exercícios para a minha equipe”Casos com o vocabulário da sua operaçãoSó Nike e Steve Jobs; “muda a dinâmica”
3Quem dá a aula“Quem facilita? O nome entra no contrato?”Instrutor aparece antes do aceite; nome em contrato“Definido conforme a agenda”
4Prática de verdade“Quanto do tempo o participante passa fazendo?”Exercício com feedback em boa parte da carga“Tem muita dinâmica”; aula 100% expositiva
5O que fica depois“O que a equipe usa 30 dias depois?”Checklist ou planilha, mais um encontro de retomadaSlides em PDF e certificado
6Como mede“Qual indicador, quem coleta, quando é a linha de base?”Um indicador de negócio e um comportamento observávelSó reação; ROI sem linha de base
7Prova no seu setor“Qual cliente do meu porte posso ligar?”Referência que atende e conta um caso ruimSó logos; “nunca tivemos problema”

Se o fornecedor não responder aos critérios 1, 5 e 6, você está diante de quem vende palestra com nome de treinamento.

O critério 1 é o mais ignorado de todos. Eduardo Salas, Scott Tannenbaum, Kurt Kraiger e Kimberly Smith-Jentsch, na Psychological Science in the Public Interest (2012), registram que o levantamento de necessidades costuma ser pulado ou trocado por uma pergunta rudimentar — “qual treinamento vocês querem fazer?” — e quem responde raramente sabe. Proposta boa começa pela realidade da sua empresa, com o mesmo cuidado de quem mapeia a jornada do cliente antes de propor qualquer coisa.

Eu vi de perto o oposto do critério 2. Uma consultoria dando design thinking para analistas júnior dentro de uma empresa, e todos os exemplos eram estratégicos: vamos ver aqui como a Nike redefiniu toda a estratégia de marketing. Só que analista júnior não decide estratégia. Ele tem tarefas pequenas, do dia a dia, e não conseguia enxergar onde aquilo entrava. Acharam a informação muito legal e nunca mais aplicaram.

Nos critérios 4 e 5, a literatura pede informação, demonstração, prática e feedback diagnóstico (Salas et al., 2012); o QIC-WD, resumindo Taylor, Russ-Eft e Chan (2005), acrescenta mostrar o modelo certo e o errado. A ferramenta que sobra pode ser um checklist ou um Excel — monte a sua com o passo a passo para criar um treinamento e com as ferramentas que fazem a equipe aplicar depois.

Como comparar duas propostas lado a lado

Coloque as duas na mesma tabela e compare por critério, não por preço/hora. O empate se desfaz em três perguntas: quem responde pelo projeto, o que fica com a equipe e que indicador foi combinado antes.

Preço por hora é a métrica errada pelo mesmo motivo que ninguém paga por metro de fio. Conhecimento técnico é aquela extensão largada em casa, com o fio todo embolado: está ali, inteiro, funcionando — e inútil naquele estado. Você não paga pelo fio. Paga por quem desenrola. O resto de uma proposta séria — indicadores, responsabilidades dos dois lados, prazo de aceite — está em como apresentar uma proposta comercial.

Quatro frases de venda que são sinal de alerta

Tem frase de venda que já foi desmentida na própria fonte que ela cita. Quem usa uma destas como argumento central não abriu o que está citando.

“93% da comunicação é não verbal.” A regra 7-38-55 é de Albert Mehrabian, da UCLA, e ele mesmo escreve na nota oficial sobre o Silent Messages: fora de sentimentos e atitudes, as equações não se aplicam.

“A gente adapta ao estilo de aprendizagem de cada participante.” Harold Pashler, Mark McDaniel, Doug Rohrer e Robert Bjork revisaram a evidência na Psychological Science in the Public Interest (2008) e não encontraram base adequada para levar avaliações de estilo de aprendizagem à prática educacional. Preferência de formato existe. Ganho, não.

“Só 10% do que se aprende é aplicado.” Robert Fitzpatrick rastreou a origem no TIP, da SIOP, em 2001: Georgenson (1982) publicou a estimativa sem citar evidência, como recurso retórico. O problema é real, o número é inventado.

“A gente garante X% de ROI.” No Brasil, 2% dos projetos de treinamento chegam a ter avaliação de ROI (Panorama, 18ª ed.). Quem promete percentual sem antes pedir a linha de base está prometendo o que não tem como calcular.

E o 70:20:10? Como heurística de desenho ele é útil, e o próprio Panorama recomenda estudar o modelo. Como lei, não: Samantha Johnson, Deborah Blackman e Fiona Buick registram, na Human Resource Development Quarterly (2018), que o modelo não tem base teórica nem evidência empírica que sustente os números.

A parte que é sua (e nenhum fornecedor resolve)

Metade do resultado se decide fora da sala. O clima de transferência e o apoio do gestor direto pesam na aplicação mais do que se costuma imaginar, e não entram no contrato a não ser que você coloque lá.

Na meta-análise de Brian Blume, Kevin Ford, Timothy Baldwin e Jason Huang, no Journal of Management (2010), com 89 estudos, o clima de transferência aparece com correlação de .27 com a aplicação no trabalho e o apoio do gestor com .31 — e os próprios autores avisam que o número do apoio do gestor vem de amostra pequena. Nenhum dos dois é o maior preditor do estudo: habilidade cognitiva, na mesma tabela, dá .37. O dado mais forte para treinamento de comunicação vem logo em seguida: ambiente e transferência ficaram em .26 nas habilidades abertas contra .04 nas fechadas.

Daí o atalho mais barato, no mesmo resumo do QIC-WD: quando o gestor passa pelo treinamento, a transferência melhora. Escreva as responsabilidades dos dois lados na proposta, porque combinado não sai caro. E o absenteísmo em treinamento no Brasil é de 13%: se um em cada oito não aparece, o problema não é o fornecedor.

Como medir sem transformar isso num projeto de ROI

Escolha um indicador de negócio e um comportamento observável antes de assinar, registre a linha de base e meça de novo entre 60 e 90 dias. Só isso já coloca o projeto no grupo que mede aplicação, que é menos de um em cada quatro no Brasil.

São quatro níveis — reação, aprendizado, comportamento e resultados (Kirkpatrick Partners) — e no Brasil 71% dos projetos têm avaliação de reação, 22% de aplicabilidade e 2% de ROI (Panorama, 18ª ed.). Claro que medir custa um tempo que ninguém tem sobrando: por isso a pesquisa recomenda medir impacto em poucos projetos.

Eu vim do RH, da área de treinamento e desenvolvimento, e via a mesma cena todo fim de ano: o RH apresentando quantas pessoas foram treinadas. Olha quantas pessoas nós treinamos esse ano. E eu era o chato que perguntava se aquilo gerou resultado, se a equipe passou a vender melhor, se caiu o número de reclamações. Contar cabeça treinada nunca fez sentido para mim. A rotina que eu uso no lugar disso está em treinamento que gera resultado.

Quando treinamento não é a resposta

Às vezes o problema não se resolve com treinamento, e o fornecedor que diz isso na primeira reunião é justamente o que você quer contratar. Salas e colegas (2012) são explícitos: treinamento nem sempre é a solução ideal para um déficit de desempenho. Beer, Finnström e Schrader contam o caso de uma empresa britânica de tecnologia médica cuja força-tarefa concluiu isso mesmo: faltava estratégia, não treinamento.

A cena contrária é conhecida. A empresa não consegue vender, então pega a equipe de vendas inteira e coloca 12 horas numa sala. Se o que faltava não era habilidade, as pessoas voltam para a operação e continuam não vendendo. Você computou horas treinadas, e só.

Perguntas frequentes

Quanto custa um treinamento corporativo?

Não existe tabela: o preço se forma por carga horária, turmas, quanto do conteúdo é feito do zero e se há medição depois. Para calibrar: a empresa brasileira investiu em média R$ 1.072 por colaborador por ano, contra R$ 6.400 nas americanas, e 47% disso vai para fornecedores externos — cerca de R$ 500 por colaborador/ano (Panorama do Treinamento no Brasil, 18ª ed., ABTD e Integração, 2023/2024; a última conta é nossa). Lembrando que esse investimento total inclui o custo da equipe interna de T&D, não só o cheque do fornecedor.

Qual a diferença entre treinamento e palestra?

Palestra é evento de sensibilização: uma via, sem prática, sem feedback e sem medição. Treinamento é ciclo — diagnóstico, conteúdo adaptado, prática com feedback e reforço depois. A literatura pede quatro coisas dentro: informação, demonstração, prática e feedback diagnóstico (Salas, Tannenbaum, Kraiger e Smith-Jentsch, 2012). O problema é comprar uma achando que comprou a outra.

Quanto tempo dura um treinamento corporativo?

No Brasil, um colaborador recebe em média 23 horas de treinamento por ano, contra 33 nos EUA (Panorama, 18ª ed.). Não existe faixa de mercado publicada para um programa de um tema só; na FFC, a versão corporativa do treinamento de apresentações tem 12 horas. A distribuição importa mais que o total: sem uso a habilidade decai, e um ano depois perde-se mais de 90% do aprendido (Arthur, Bennett, Stanush e McNelly, 1998, citados por Salas e colegas, 2012).

Como saber se o treinamento funcionou?

Você combina a resposta antes de começar, não depois: um indicador de negócio, um comportamento observável e a linha de base, tudo definido antes da primeira aula. Um detalhe muda a leitura das notas altas: na meta-análise de Blume, Ford, Baldwin e Huang (Journal of Management, 2010), a reação afetiva quase não se relaciona com aplicação no trabalho (r = .08), enquanto a utilidade percebida se relaciona (r = .46). Pergunte: na avaliação de vocês tem pergunta de utilidade ou só de satisfação?


Próximo passo

Pegue as duas propostas que estão na sua mesa e preencha só a última coluna da tabela, a do sinal de alerta. Quinze minutos e a decisão aparece sozinha.

O guia completo sobre treinamento in company — do diagnóstico à medição — sai em breve aqui no blog. Enquanto ele não vem, veja como montar o treinamento passo a passo e por que o tema mais pedido na indústria são as soft skills de comunicação.

Se quiser uma terceira proposta na mesa: a gente treina equipes em comunicação e apresentações — mais de 5.000 profissionais formados e mais de 100 multinacionais, entre elas Volvo, Petrobras e Unimed. Compare com como funcionam os nossos treinamentos in company e com os cases de empresas que já fizeram.


Veja o vídeo completo

Boa parte do que está aqui saiu de um vídeo sobre o que faz um treinamento gerar resultado — inclusive o caso do design thinking para analista júnior. Assista ao original:

▶ Apresentação profissional: método para manter atenção durante treinamento


Escrito por André e Ana Flávia, da Fantástica Fábrica Criativa, que treina equipes dentro das empresas desde 2016. Sobre a gente.

Perguntas frequentes

Quanto custa um treinamento corporativo?

Não existe tabela: o preço se forma por carga horária, turmas, quanto do conteúdo é feito do zero e se há medição depois. Para calibrar: a empresa brasileira investiu em média R$ 1.072 por colaborador por ano, contra R$ 6.400 nas americanas, e 47% disso vai para fornecedores externos — cerca de R$ 500 por colaborador/ano (Panorama do Treinamento no Brasil, 18ª ed., ABTD e Integração, 2023/2024; a última conta é nossa). Lembrando que esse investimento total inclui o custo da equipe interna de T&D, não só o cheque do fornecedor.

Qual a diferença entre treinamento e palestra?

Palestra é evento de sensibilização: uma via, sem prática, sem feedback e sem medição. Treinamento é ciclo — diagnóstico, conteúdo adaptado, prática com feedback e reforço depois. A literatura pede quatro coisas dentro: informação, demonstração, prática e feedback diagnóstico (Salas, Tannenbaum, Kraiger e Smith-Jentsch, 2012). O problema é comprar uma achando que comprou a outra.

Quanto tempo dura um treinamento corporativo?

No Brasil, um colaborador recebe em média 23 horas de treinamento por ano, contra 33 nos EUA (Panorama, 18ª ed.). Não existe faixa de mercado publicada para um programa de um tema só; na FFC, a versão corporativa do treinamento de apresentações tem 12 horas. A distribuição importa mais que o total: sem uso a habilidade decai, e um ano depois perde-se mais de 90% do aprendido (Arthur, Bennett, Stanush e McNelly, 1998, citados por Salas e colegas, 2012).

Como saber se o treinamento funcionou?

Você combina a resposta antes de começar, não depois: um indicador de negócio, um comportamento observável e a linha de base, tudo definido antes da primeira aula. Um detalhe muda a leitura das notas altas: na meta-análise de Blume, Ford, Baldwin e Huang (Journal of Management, 2010), a reação afetiva quase não se relaciona com aplicação no trabalho (r = .08), enquanto a utilidade percebida se relaciona (r = .46). Pergunte: na avaliação de vocês tem pergunta de utilidade ou só de satisfação? ---

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André, CEO & Especialista em Comunicação & Inovação

André · Fantástica Fábrica Criativa

CEO & Especialista em Comunicação & Inovação

CEO da Fantástica Fábrica Criativa e especialista em comunicação, storytelling e desenvolvimento de pessoas há mais de 16 anos. Professor de Storytelling na PUC-PR.

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