Pular para o conteúdo

Apresentações que prendem atenção

Fantástica Fábrica Criativa

Os 4 pilares do visual: imagens, ícones, cores e fontes

Atualizado em 12 min de leitura Apresentações que prendem atenção Publicado originalmente em

Vou fazer um teste com você. Eu mostro só uma cor e uma palavra, e você adivinha de qual empresa a gente está falando. “Banco digital.” “Celular.” “Banco.” “Refrigerante.” Se você acertou, acabou de sentir na prática o poder que os pilares do visual têm: imagens, ícones, cores e fontes trabalhando juntos passam a mensagem antes de qualquer palavra sua.

Chega a ser um pouco bizarro, né? Nenhum logo, nenhuma frase, nenhum nome — e mesmo assim a marca apareceu na sua cabeça. O visual chegou primeiro, e chegou sozinho.

E é exatamente por isso que existe visual errado. Neste artigo você vai ver por que uma apresentação bonita pode prejudicar o seu trabalho, o que o visual errado comunica sem você perceber e os três passos para montar um visual que comunica de verdade.

O visual que você usa não deve ser só bonito. Ele precisa ser estratégico — tudo deve ser intencional.


O visual comunica antes das palavras

A gente vive num mundo de pessoas que têm pouca paciência. Ninguém espera você chegar no terceiro parágrafo do slide para decidir se aquilo merece atenção. O visual passa a mensagem rapidamente — e é ele que chega primeiro.

Quando você usa bem essa estratégia, três coisas acontecem ao mesmo tempo:

  • Você desperta emoções específicas nas pessoas.
  • Você tendencia a forma como elas pensam e como elas enxergam você e a sua empresa.
  • E, por causa disso, você tendencia até as tomadas de decisão delas.

Só que aqui mora a armadilha. Se o visual é forte o suficiente para conduzir a percepção e a decisão do seu público quando está certo, ele é igualmente forte quando está errado. A força não desaparece porque você escolheu a imagem no impulso — ela só passa a trabalhar contra você.

Por isso é importante usar o visual certo para passar a mensagem certa. E, sim: isso quer dizer que existe visual errado.

A decisão que você delegaria: a fonte

Deixa eu contar um caso da nossa própria casa.

Recentemente eu contratei um consultor aqui na empresa para fazer um processo de rebranding. É uma palavra toda chique que as empresas utilizam, mas não é nada mais do que revisitar, refazer a identidade visual da marca.

O motivo era simples. Quando a Fantástica Fábrica Criativa começou no mercado, com o primeiro vídeo no YouTube, eu tinha 29 anos e fazia até as coisas sozinho. Hoje eu tenho 37 e a gente tem uma equipe inteira trabalhando na empresa. Muita coisa mudou.

Eu não queria mudar completamente o visual da nossa empresa. Mas eu queria mostrar algo que conseguisse traduzir todo esse amadurecimento ao longo do tempo.

Uma das coisas que a gente mudou foi a fonte — a fonte que é usada em todos os materiais: no site, nas redes sociais, nas apresentações que a gente faz em reuniões com empresas, nas palestras de que a gente participa.

Pode parecer uma decisão simples, dessas que você delegaria facilmente. “Ah, escolhe qualquer fonte aí.”

Mas pensa comigo: se eu estivesse dando uma palestra num evento e você estivesse ali na plateia, qual das duas fontes conseguiria demonstrar o amadurecimento da nossa marca e a seriedade que ela passou a ter? Uma delas é totalmente infantilizada. A outra é mais madura, puxa para a seriedade de quem é adulto, de quem está no mercado de trabalho.

E é justamente com essas pessoas que eu quero me conectar — por mais que eu fale de criatividade o dia inteiro.

Repara no tamanho da decisão. Não é “qual fonte é mais bonita”. É “qual fonte diz para o mercado que essa empresa amadureceu”. Uma escolha que parecia delegável define como um cliente enxerga a sua marca antes de você abrir a boca.

Bonito não é estratégico

Esse tipo de erro acontece com frequência — e quase nunca por falta de esforço.

Olha só o caso de uma mulher que estava dando uma palestra em São Paulo. O tema dela era estar bem vestida: ser chique cabe no seu bolso. Boa ideia, boa palestra, boa intenção.

Só que o visual que ela estava usando naquele momento conseguia comunicar rapidamente, de forma visual, essa mesma ideia? Obviamente que não. O tema dizia uma coisa, o slide dizia outra.

Aí a pessoa percebe o problema e toma uma decisão: “puxa, eu preciso mudar esse meu visual”. E normalmente ela vai fazer uma de duas coisas.

  1. Vai na internet baixar um template gratuito, um template do Canva, e coloca as informações dela lá dentro.
  2. Ou paga alguém para fazer “slides bonitinhos” para ela.

O resultado final acaba sendo mais ou menos o mesmo: ficou bonito. Tá bonito mesmo. Mas a pergunta continua sem resposta — as cores, os elementos, todo o visual que foi criado: é realmente estratégico?

Repara na plateia daquela palestra. Dá para perceber só pela foto o tipo de pessoa que está ali acompanhando: mulheres mais velhas, mais maduras, que querem se vestir melhor no dia a dia profissional.

Então tudo que ela usa de visual naquele momento deve se conectar com essas mulheres. Deve se conectar com esse momento de vida mais maduro, mais sério, passando a mensagem de uma pessoa chique — mas algo que seja acessível.

Um template genérico não sabe disso. O designer que recebeu o pedido “faz uns slides bonitinhos” também não. Só você sabe.

Bonito (mas sem estratégia)Visual estratégico
Nasce do gosto de quem apresentaNasce da audiência que vai assistir
Template pronto, serve para qualquer temaEscolhido para aquele tema e aquele público
“Ficou legal”“Passa a mensagem que eu preciso passar”
Pode contradizer o que você está falandoReforça o que você está falando
Decora o slideConduz a uma emoção e a uma decisão

O que o visual errado faz com o seu trabalho

Agora imagina um outro cenário, bem diferente. Você não é palestrante. Você não está tentando vender produto nenhum. Você simplesmente tem que apresentar um relatório na sua empresa.

O que você vai mostrar ali é o resultado de uma pesquisa de clima organizacional para o diretor da área de RH. Você trabalha numa empresa grande, séria. E nesse momento você está fazendo a avaliação dos números e dos resultados de todo um esforço anual do RH para melhorar o clima organizacional daquela empresa.

Você vai revelar os números finais de todo aquele esforço. E, para criar essa antecipação, você faz o quê? Coloca uma figura do Bob Esponja roendo as unhas.

Eu vou te falar uma coisa: isso aqui não fui eu que criei. É uma apresentação real que enviaram para mim.

Isso não é criatividade. É um excelente exemplo do que faz o profissional que não consegue enxergar o que é criatividade de verdade — que não consegue enxergar que criatividade deve gerar algum tipo de valor. O profissional que tem visão criativa entende que o visual certo deve passar a mensagem certa.

E o Bob Esponja roendo a unha ali não gera benefício nenhum. Pelo contrário: ele prejudica a mensagem de duas formas bem separadas.

Primeiro, ele banaliza o resultado. Se os números daquela pesquisa vierem ruins, aquela imagem transforma um problema real da empresa em piada.

Segundo, ele infantiliza o seu trabalho. E esse é o dano que dói mais. Você pode ter feito a melhor pesquisa do mundo. A melhor narrativa de como contar a história desses resultados. O melhor plano para o futuro. Mas entenda que, naquele momento em que o diretor bate o olho na sua apresentação e vê um Bob Esponja roendo a unha, a mensagem é passada para ele de forma automática: isso é um trabalho infantil, isso não tem o peso que deveria ter, talvez isso não tenha tanta importância.

Um esforço anual inteiro julgado no instante em que o diretor bate o olho no slide — por causa de uma imagem escolhida no impulso.

Então como é que a gente faz para definir esse visual em qualquer tipo de comunicação que você vai criar? São três passos.

Passo 1: estude a audiência

O visual não deve se conectar comigo, o apresentador. Ele deve se conectar com as pessoas que estão me escutando.

Parece óbvio quando está escrito assim, mas é o passo que quase todo mundo pula. A gente escolhe a imagem que a gente acha bonita, a cor que a gente gosta, a fonte que a gente já usa desde sempre. E a plateia não é você.

As pessoas precisam entender as referências visuais que você está utilizando. Se a gente está falando com um público mais sério, as cores que eu utilizo devem transmitir essa seriedade. Se a plateia é de mulheres mais maduras que querem se vestir melhor no trabalho, o visual precisa dizer “chique, mas acessível” — e não “template alegre de curso online”.

A pergunta que abre esse passo é sempre a mesma: quem está do outro lado, e o que essas pessoas precisam sentir? Se você quiser aprofundar essa leitura de plateia, veja como apresentar bem.

Passo 2: os 4 pilares do visual — imagens, ícones, cores e fontes

Com a audiência estudada, o próximo passo é definir quais são os quatro pilares do seu visual: as imagens, os ícones, as cores e as fontes.

ElementoO que ele decide
ImagensA cena e a emoção que você evoca
ÍconesA leitura rápida dos conceitos
CoresO tom: sério, leve, urgente, acolhedor
FontesA personalidade e a maturidade da marca

Aqui está o ponto que separa o slide bonito do slide que funciona: todos os quatro devem transmitir a mesma mensagem que você quer passar para aquele público específico.

Não adianta a cor dizer “empresa séria” e a fonte dizer “festa infantil”. Não adianta a imagem dizer “resultado importante” e o ícone dizer “isso aqui é só um detalhe”. Quando um dos quatro desafina, é ele que a plateia escuta — porque a contradição chama mais atenção do que o acerto.

Foi exatamente isso que aconteceu nos dois casos deste artigo. A palestrante tinha o tema certo e o visual desafinado. O relatório de RH tinha a pesquisa certa e a imagem desafinada. Um elemento fora do lugar já basta. Para ver como esses elementos afetam a atenção da plateia slide a slide, veja o visual da apresentação.

Passo 3: una os quatro de forma criativa

O terceiro ponto é unir esses quatro elementos de uma forma criativa. E “criativa”, aqui, não significa “surpreendente” nem “engraçada”. Significa pensar em como todo esse contexto visual:

  • me ajuda a contar a minha história;
  • faz o meu público entender melhor a mensagem que está na minha cabeça;
  • tendencia o meu público a sentir uma emoção específica;
  • e, através dessa emoção e dessa narrativa, tendencia ele a tomar a decisão que eu quero.

Vou dar um exemplo concreto. Imagina que eu estou fazendo uma apresentação de uma empresa de seguro de vida. Qual é a decisão que eu quero que essa pessoa tome no final? Que ela contrate o seguro de vida.

É por isso que, às vezes, eu tenho que usar o visual para causar um sentimento de medo. Medo de que aconteça alguma coisa. Receio do que pode acontecer com a minha família se eu não estiver mais aqui.

Esse visual faz a pessoa ter esse sentimento — e esse sentimento faz com que ela tome a decisão que eu desejo.

Percebe a inversão? Você não começa pela imagem e pergunta se ela ficou bonita. Você começa pela decisão que quer provocar, volta para a emoção que leva até ela, e só então escolhe imagem, ícone, cor e fonte que produzem essa emoção naquele público. Escolher a imagem com essa intenção muda o resultado da apresentação inteira.

E isso não vale só para palco. No fim do dia, o visual que você usa na sua rede social, o visual que você usa na hora de fazer uma apresentação e até o visual do material que você envia para um cliente seu não devem ser só bonitos. Eles precisam ser estratégicos.

Tudo deve ser intencional. Porque um visual certo, que transmite a mensagem certa, faz com que você atinja o seu objetivo.


Próximo passo

Este artigo é uma peça do guia Como fazer uma apresentação. Lá você encontra o caminho completo — da estrutura da mensagem à condução da plateia — para que o seu visual e o seu conteúdo digam a mesma coisa.

Quer descobrir se o seu visual está ajudando ou atrapalhando a sua mensagem? Faça o Raio-X da sua comunicação em cerca de 2 minutos.


Veja o vídeo completo

Este artigo foi baseado numa aula do canal da Fantástica Fábrica Criativa sobre os perigos do visual só bonito. Assista ao vídeo original:

CUIDADO! Criar apresentações de Powerpoint bonitas pode prejudicar o seu trabalho: ENTENDA AQUI!

Perguntas frequentes

Quais são os 4 pilares do visual?

Os quatro pilares do visual são as imagens, os ícones, as cores e as fontes. As imagens definem a cena e a emoção, os ícones dão a leitura rápida dos conceitos, as cores definem o tom e as fontes carregam a personalidade e a maturidade da marca. O que faz o conjunto funcionar é os quatro transmitirem a mesma mensagem para aquele público específico.

Por que uma apresentação bonita pode prejudicar o meu trabalho?

Porque bonito e estratégico não são a mesma coisa. Um template gratuito baixado da internet ou slides feitos só para ficarem bonitinhos podem contradizer o que você está falando, como aconteceu com a palestrante cujo tema era ser chique cabendo no bolso e cujo visual não comunicava isso. Quando um elemento desafina, é justamente ele que a plateia percebe.

Qual é a diferença entre visual bonito e visual estratégico?

O visual bonito nasce do gosto de quem apresenta e serve para qualquer tema. O visual estratégico nasce da audiência que vai assistir e da decisão que você quer provocar. Um decora o slide; o outro reforça a sua mensagem, conduz a uma emoção específica e leva à decisão que você deseja.

Como escolher as cores e as fontes de uma apresentação?

Comece estudando a audiência: o visual não precisa se conectar com você, o apresentador, e sim com quem está escutando. Se o público é mais sério, as cores precisam transmitir essa seriedade. Com as fontes vale o mesmo teste: uma fonte infantilizada e uma fonte madura dizem coisas opostas sobre o quanto a sua marca ou o seu trabalho merecem ser levados a sério.

Que dano uma imagem errada causa numa apresentação de resultados?

Dois danos separados. Ela banaliza o resultado, transformando um número importante em piada, e infantiliza o seu trabalho. Foi o caso real de um relatório de clima organizacional para um diretor de RH que abria com o Bob Esponja roendo as unhas: por melhor que fosse a pesquisa, a mensagem que chegou primeiro foi a de que aquilo era um trabalho sem peso.

Os pilares do visual valem só para apresentações de slides?

Não. O mesmo critério vale para o visual que você usa na sua rede social, para a apresentação que você faz em uma reunião ou palestra e até para o material que você envia a um cliente. Em todos esses casos o visual não deve ser só bonito: ele precisa ser intencional, porque um visual certo transmitindo a mensagem certa é o que faz você atingir o seu objetivo.

Raio-X da sua comunicação

Já sabe o que está te travando?

Em 2 minutos você descobre onde sua comunicação está te fazendo perder vendas — e o próximo passo certo pra você.

Fazer o Raio-X da minha comunicação →
Ana Flávia, CEO & Estrategista de Marketing Digital & Storytelling

Ana Flávia · Fantástica Fábrica Criativa

CEO & Estrategista de Marketing Digital & Storytelling

Ana Flávia é CEO e estrategista de comunicação e storytelling da Fantástica Fábrica Criativa. Lidera a estratégia de conteúdo, copy e comunicação digital para negócios — unindo storytelling e marketing para transformar especialistas em referências no digital.

Conheça Ana Flávia → LinkedIn →

Publicado em · Atualizado em

Este artigo faz parte do tema Apresentações que prendem atenção. Ver todos os artigos deste tema →

Veja os resultados de quem aplicou: cases de +5.000 alunos e +100 empresas treinadas →