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Apresentações que prendem atenção

Fantástica Fábrica Criativa

Como começar uma apresentação: 4 aberturas a evitar

Ana Flávia
23 nov. 2023 5 min de leitura Apresentações que prendem atenção

A maior parte das pessoas erra como começar uma apresentação da mesma forma — e por isso a plateia entra no automático antes do segundo minuto. Antes de aprender a abertura que funciona, vale conhecer as quatro que você deveria evitar logo de cara.

Pense em como a maioria das pessoas puxa conversa com um desconhecido: fala do tempo, “acho que vai chover”, “que calor hoje”. Não torna ninguém interessante — porque é exatamente o que todo mundo faz. Começar uma apresentação é a mesma coisa, só que na frente de um grupo. E um bom começo é a diferença entre ter ou não a atenção das pessoas nos primeiros minutos.

Não é que esses assuntos não possam aparecer. É que não é no início que eles geram interesse.

Existe um motivo para essas aberturas falharem: o cérebro é uma máquina de procurar padrão e, quando reconhece o formato de sempre, entra no modo automático — como quando você dirige até em casa sem lembrar do caminho. Se você abre igual a todo mundo, o cérebro da plateia desliga. (Esse mecanismo tem um artigo só dele: por que o cérebro entra no automático.)


1. A agenda do dia

“Hoje vamos falar sobre X, Y e Z.” A agenda é só um mapa de onde você quer chegar — e um mapa não interessa se você ainda não mostrou por que vale a pena chegar lá. O que torna o caminho significativo é você apresentar qual benefício aquele destino traz e que problema ele resolve. Antes de mostrar como vai chegar em algum lugar, convença a pessoa de que será bom para ela chegar nesse lugar. Aí sim a agenda faz sentido — no meio, não na abertura.

2. Narrar o seu currículo

Suas formações e conquistas servem para validar algo — depois que você já despertou interesse. Logo no início, para quem ainda não te conhece, essa informação quase sempre não tem relevância. Pense no Steve Jobs: as pessoas têm curiosidade sobre a vida dele porque ele já mostrou resultado, já atingiu algo. Numa palestra em que ninguém te conhece nem sabe o que você alcançou, você ainda não é relevante para aquela plateia — então narrar o currículo não gera impacto. Não é que você não possa falar onde se formou ou o que já fez; é que não é nesse momento.

3. Missão, visão e valores

Para quem tem empresa, é tentador abrir por aqui. Mas o efeito é o mesmo de um indivíduo narrando o próprio currículo: o cliente ainda não quer saber da sua empresa — ele quer saber como você vai resolver um problema dele, de que forma vai tornar a vida dele melhor. Depois que existe interesse, você pode trazer missão e valores como forma de validação. E, convenhamos, missão, visão e valores são muito mais uma conversa interna da empresa do que algo que interessa a um cliente logo de cara.

4. A definição de dicionário

Começar com “o que é motivação…” num treinamento para gestores é ruim por dois motivos. Primeiro: na maioria das vezes a plateia já sabe a definição daquele termo — os gestores já sabem o que é motivação — e você acaba tratando a audiência como criança. Segundo: se, mesmo assim, alguém não sabe o que é aquele conceito, encontra a definição no Google muito mais rápido do que você fala. De um jeito ou de outro, a definição genérica faz o interesse escorrer.

AberturaPor que falha no início
AgendaMapa sem benefício
CurrículoValidação sem contexto
Missão/visão/valoresFoco em você, não no cliente
Definição de dicionárioGenérica e infantilizadora

O que fazer no lugar

Quando você evita o formato que todo mundo usa e entra com uma estratégia diferente, gera uma quebra de padrão — o equivalente a uma bola atravessando na frente do carro enquanto você dirige no automático: liga um sinal de alerta e a atenção volta. Uma das melhores formas de provocar isso é abrir com uma história — mas com técnica, não uma história qualquer jogada ali para ser “criativa”. Existe uma estrutura para fazer isso funcionar, e é ela que separa o começo que prende do que confunde.


Próximo passo: como começar uma apresentação que prende

Se essas quatro não funcionam, qual funciona? No próximo artigo, você vai ver por que começar com uma história é a abertura que prende — e as 4 regras para fazer certo (conectar a história ao conteúdo técnico, estudar a audiência, usar analogia e seguir uma estrutura de storytelling).

Antes disso, entenda por que o cérebro entra no automático — e por que estudar a audiência é o passo que sustenta tudo: veja como estudar a audiência antes de montar a abertura.

Quer saber se a sua abertura está entre as que afastam? Faça o Raio-X da sua comunicação em 2 minutos.


Esse conteúdo faz parte da série sobre apresentações que prendem atenção.


Veja o vídeo completo

Este artigo foi baseado no vídeo sobre as 5 maneiras de começar uma apresentação. Assista ao original:

▶ 5 maneiras de começar uma apresentação no seu trabalho, mas somente a última que funciona

Perguntas frequentes

Posso começar uma apresentação pela agenda do dia?

É melhor evitar. A agenda é só um mapa de onde você quer chegar, e um mapa não interessa enquanto você não mostrou por que vale a pena chegar lá. Antes do caminho, mostre o benefício e o problema que será resolvido.

Devo falar da minha formação no início da apresentação?

Não logo de cara. Formações e conquistas servem para validar algo depois que você já despertou interesse; no começo, para quem ainda não te conhece, isso tem pouca relevância. Diferente do Steve Jobs, você ainda não mostrou resultado naquele momento.

Por que não começar explicando o conceito com a definição de dicionário?

Porque isso falha por dois motivos: ou a plateia já sabe, e você a trata como criança, ou ela não sabe e encontra a definição no Google mais rápido do que você fala. Em vez da definição genérica, prefira começar com uma história.

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Ana Flávia · Fantástica Fábrica Criativa

Ana Flávia é CEO e estrategista de comunicação e storytelling da Fantástica Fábrica Criativa. Lidera a estratégia de conteúdo, copy e comunicação digital para negócios — unindo storytelling e marketing para transformar especialistas em referências no digital.

Publicado em 23 nov. 2023 · Atualizado em 13 jul. 2026

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